Bem-estar

Obesidade tem ligação com uma em cada cinco mortes nos EUA, diz estudo

Quanto mais jovem o indivíduo, maior a influência do peso sobre a mortalidade

A obesidade está associada com cerca de uma em cada cinco mortes nos Estados Unidos, de acordo com um estudo publicado online dia 15 de agosto no American Journal of Public Health. Os dados do pesquisador da Universidade de Columbia sugerem que o impacto da obesidade sobre os norte-americanos é três vezes maior do que as estimativas anteriores.

Apesar da pesquisa ter sido feita nos EUA, no Brasil esses números também são impactantes e muito próximos dos norte-americanos: segundo dados da pesquisa Vigitel, do Ministério da Saúde, quase metade da população brasileira (48,5%) está acima do peso. De acordo com a pesquisa brasileira, entre as pessoas com sobrepeso, os homens são a maioria – 52,6% está acima do peso ideal, contra 44,7% das mulheres que estão na mesma condição. O problema se agrava entre homens de 35 a 45 anos, período em que 63% deles estão acima do peso. Entre os homens de 18 a 24 anos, apenas 6,3% são obesos. Entre os de 25 e 34 anos, a frequência quase triplica (17,2%).

Foram usados dados de 19 estudos consecutivos do National Health Interview Survey, de 1986 a 2004. Os pesquisadores analisaram a relação entre obesidade e taxas de mortalidade de 290.383 homens brancos, 41.710 homens negros, 324.131 mulheres brancas e 61.344 mulheres negras, com idades entre 40 e 84,9 anos. Os estudiosos excluíram pessoas acima dos 85 anos para evitar distorções induzidas pelas pesquisas analisadas. Eles também excluíram o 1% da amostra IMC inferior a 18,5 kg/m2, que pode ser um indicador de doença, fragilidade ou risco de mortalidade, segundo os autores.

Os investigadores seguiram as diretrizes federais, estabelecendo IMC normal 18,5 a 24,9, sobrepeso como 25,0 a 29,9 e obesidade como 30,0 kg/m2 e superior. Além disso, a obesidade foi estratificada como grau 1 para um IMC entre 30,0 e 34,9 kg/m2 e graus 2 e 3 para um IMC de 35,0 kg/m2 ou superior.

Os pesquisadores relatam que o sobrepeso e a obesidade estavam associados com 18,2% de todas as mortes entre adultos de 1986 a 2006 nos Estados Unidos. Estimativas anteriores estabeleciam uma taxa de mortalidade relacionada à obesidade em torno de 5%.

Na pesquisa atual, a obesidade parece ter um efeito particularmente forte entre as mulheres negras, com 26,8% das mortes associadas com um índice de massa corporal (IMC) de 25 kg/m2 ou superior. Nas mulheres brancas, 21,7% das mortes foram associadas com excesso de peso ou obesidade. Entre os homens negros, 5,0% das mortes foram associadas com sobrepeso ou obesidade, e entre os homens brancos, 15,6% eram associadas.

O trabalho também mostrou que quanto mais recente era o ano de nascimento, maior era a influência da obesidade sobre a mortalidade. Os autores explicam que as estimativas anteriores ignoraram vários fatores, como a baixa participação em pesquisas de saúde pública por pessoas obesas. Além disso, nos estudos anteriores, as taxas médias de obesidade muitas vezes estavam equivocadas.

Evite os sete maiores erros no combate à obesidade
A obesidade pode estar ligada a distúrbios alimentares, ao sedentarismo, a disfunções hormonais e, por trás disso tudo ainda, à herança genética. Um time de educadores físicos, nutricionistas, psicólogos e endocrinologistas forma a melhor equipe para dar um fim nos quilos a mais. De acordo com o endocrinologista Amélio Godoy Matos, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e da Associação para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO), a maior parte dos tratamentos inclui um arsenal de remédios, já que são poucos os casos em que o paciente consegue reverter o problema apenas com disciplina. “Isso não significa, entretanto, que o uso de remédios dispense a adoção de hábitos saudáveis”, explica. E está aí um dos principais nós relacionados ao controle de peso: muita gente acha que basta controlar a medicação para que os quilos comecem a desaparecer. “Quando isso não acontece, vem a frustração e o abandono das consultas”, aponta. O erro é comum, mas não o único. Se você já tentou emagrecer e não alcançou sua meta, veja os principais erros, apontados por especialistas, no tratamento da obesidade:

Ignorar as calorias totais da dieta

“A alimentação desequilibrada é um dos principais fatores relacionados à obesidade”, afirma a educadora física e doutoranda em nutrição Ana Dâmaso, coordenadora do Grupo de Estudo da Obesidade (GEO) da Unifesp. Segundo ela, quando este fator está associado ao excesso de peso, tona-se necessária a reeducação alimentar. Tudo começa estabelecendo um limite máximo de calorias que podem ser consumidas diariamente. “Uma pessoa acima do peso provavelmente ingere muito mais calorias do que seu metabolismo é capaz de queimar”, afirma a especialista. Para isso, procure um bom nutricionista que possa elaborar um cardápio individual.

Mulher comendo salada - Foto Getty Images

Fazer escolhas pouco saudáveis à mesa

Bobagem ficar dentro das calorias previstas para o dia se os alimentos que você consome têm valor nutricional nulo. De acordo com a educadora física Ana, gorduras e açúcares são os grupos de alimentos mais presentes na alimentação do paciente com obesidade. Aprender a montar um prato colorido com muitas frutas, legumes e verduras, e uma parcela menor de carboidratos e proteínas, faz parte da reeducação alimentar. “Com o tempo, os pacientes percebem que não é preciso passar fome ou comer alimentos sem graça para perder peso”, explica.

Homem sentado - Foto Getty Images

Manter o sedentarismo

“Exercícios físicos são uma das principais estratégias terapêuticas não medicamentosas para combater a obesidade”, diz a educadora física Ana. Segundo a especialista, atualmente exercícios valem por remédio. O método mais eficaz para perder peso é combinar exercícios aeróbios, como a caminhada, com exercícios resistidos, com a musculação. “Juntos, eles não só combatem a obesidade, como ainda ajudam no controle da síndrome metabólica e da esteatose hepática não alcoólica (acúmulo de gordura no fígado)”, explica. Antes de iniciar o treino, procure um profissional para não realizar movimentos incorretos ou exagerar na dose, o que pode gerar lesões.

Mulher ansiosa - Foto Getty Images

Perder o controle da ansiedade

A obesidade é uma doença multifatorial e, na maior parte dos casos, está ligada a disfunções emocionais. “Grande parte dos pacientes sofre deansiedade, estresse e outros problemas que podem levar à compulsão alimentar, por exemplo”, afirma o endocrinologista Marcos Antonio Tambascia, professor da Unicamp. Por isso, incluir um terapeuta comportamental no tratamento da obesidade pode ser fundamental para alcançar o sucesso.

Homem acendendo cigarro - Foto Getty Images

Adotar outros hábitos prejudiciais

“Principalmente pacientes que foram submetidos à cirurgia bariátrica são mais propensos a adotar outros hábitos prejudiciais para compensar o prazer que deixaram de ter por não poder comer compulsivamente”, afirma o endocrinologista Marcos. Segundo ele, é comum pacientes começarem a fumar e beber ao tentar seguir uma alimentação saudável. Por outro lado, alguns pacientes se sentem estimulados a mudar completamente de vida quando dão início ao tratamento da obesidade. Assim, começam a praticar exercícios, investem na reeducação alimentar e, de quebra, ainda adotam outros hábitos saudáveis como medida de prevenção da saúde.

Mulher comendo bolo - Foto Getty Images

Retomar os erros após a perda de peso

O paciente com tendência a ter obesidade não pode vacilar. Hábitos saudáveis adotados para perder peso devem ser mantidos mesmo após alcançar a meta. “Muitos pacientes acabam retomando os quilos perdidos porque deixam a disciplina de lado com o tempo”, diz o endocrinologista Marcos. Segundo ele, comer bem, praticar exercícios e fazer check-ups no médico regularmente deveriam ser regra na vida de todas as pessoas durante a vida inteira. No caso de pessoas com tendência a desenvolver a doença, entretanto, a medida se torna ainda mais relevante e não segui-la pode trazer consequências mais imediatas, como a desnutrição e a volta da obesidade.

Homem medindo a pressão arterial - Foto Getty Images

Resistir a tratamentos mais agressivos

“A cirurgia bariátrica nunca é a primeira opção de tratamento para pessoas com obesidade”, afirma o endocrinologista Marcos. Mas indivíduos com índice de massa corpórea (IMC) maior do que 40 ou com IMC maior do que 30 e tendência a desenvolver doenças associadas à obesidade, como o diabetes, geralmente recebem indicação para a intervenção cirúrgica. Isso porque, neste caso, a necessidade de perder peso é imediata. Além disso, disciplina para mudar hábitos de vida nem sempre é o suficiente para vencer essa doença crônica. Por isso, o acompanhamento médico é fundamental.

Fonte: Minha Vida